Segundo infectologista, menos de 1% dos casos evolui para forma grave
por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil
Brasília (DF), 25/07/2026 – FOTO DE ARQUIVO – Pernilongo. Mosquito da Febre do Nilo Ocidental. Foto: © MS/Divulgação
A febre do Nilo Ocidental não é uma doença comum no Brasil, mas é conhecida na África há pelo menos 90 anos. Segundo o médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Furtado da Costa, apesar de casos confirmados e até uma morte causada pela doença, a maioria absoluta dos quadros é leve e menos de 1% evolui para a forma grave.
“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença.”
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, grupo que também inclui aqueles responsáveis pela dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito do gênero Culex, como pernilongo ou muriçoca, que adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas.
A infecção pode não provocar sintomas. Estima-se que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvem manifestações clínicas, que, na maioria, são brandas.
Entre os sintomas que podem surgir estão:
febre e mal-estar;
falta de apetite;
náuseas e vômitos;
dor de cabeça;
dor muscular;
dor nos olhos;
manchas na pele;
aumento dos gânglios linfáticos;
confusão mental;
rebaixamento do nível de consciência;
tremores ou convulsões.
Contágio e tratamento
“Os mosquitos picam as aves infectadas – os reservatórios do vírus – e, picando o ser humano, podem transmitir a doença. Os sintomas são muito parecidos com os de arboviroses como dengue, zika, que são vírus ‘primos’”, explicou Costa.
Os quadros podem variar desde uma febre passageira até formas mais graves, causando encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas. Nesses casos, é necessária avaliação médica imediata e, quando indicado, hospitalização.
Nos casos graves pode ser necessária internação hospitalar e atendimento em unidade de terapia intensiva. O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir e tratar complicações.
O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, em pessoas que apresentem sintomas compatíveis e tenham histórico de exposição a áreas com presença do mosquito.
Não existe vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo Ocidental em humanos. O controle do quadro é direcionado aos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico, conforme a necessidade de cada paciente.
“Ainda não há estudo idealizando uma vacina para essa doença, que tem um número muito pequeno de casos pelo mundo, totalmente diferente de outras arboviroses com um número bem maior de casos como zika e dengue”, acrescentou o infectologista.
Casos
Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, são os dois casos confirmados no estado de São Paulo, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP).
A primeira informou que viajou recentemente para a região amazônica, mas já está curada. A segunda está internada sob cuidados médicos. Esta é a primeira vez que o estado de São Paulo registra casos humanos da doença.
“As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, disse a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini.
Segundo o Ministério da Saúde, também foram confirmados dois casos em Santa Catarina, com um deles evoluindo para a morte, e há um caso provável no Piauí. Diante disso, a pasta informou que mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar casos e possíveis áreas de transmissão.












