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China investe bilhões no Nordeste e quase ninguém vê: de fábrica da BYD à maior ponte marítima do Brasil

por redação, com colaboração Meta AI

Infográfico: Os principais investimentos chineses no Nordeste entre 2024 e 2025 – da fábrica da BYD e ponte Salvador-Itaparica na Bahia à mineração em Alagoas e linhas de transmissão de 1.468 km. Arte: ahoranews / IA

Enquanto o debate nacional se concentra em São Paulo e Brasília, a China está silenciosamente transformando o Nordeste no seu maior canteiro de obras no Brasil. Não é só comércio. É fábrica de carro elétrico, ponte sobre o mar, linha de transmissão gigante, mina de cobre, usina solar e até telescópio.

1. Bahia: a capital chinesa do Brasil

A montadora BYD inaugurou em outubro de 2025 sua fábrica em Camaçari, no antigo polo da Ford. O investimento anunciado chega a R$ 5,5 bilhões para produção de carros elétricos e híbridos.

No mesmo estado, um consórcio de estatais chinesas está construindo a Ponte Salvador-Itaparica, com 12,4 km sobre o mar. Será a maior ponte marítima do país, cortando uma viagem de 4 horas para 10 minutos, ao custo de cerca de R$ 11 bilhões.

E em Caetité, no sertão baiano, a CGN Brasil (do grupo estatal China General Nuclear) iniciou em outubro de 2026 a construção da Usina Solar Tanque Novo, de 70,8 MW, cuja energia vai alimentar o Metrô de São Paulo.

2. Maranhão, Tocantins e Goiás: a maior obra de transmissão da história

A State Grid, gigante estatal chinesa, venceu o leilão de dezembro de 2023 e está construindo 1.468 km de linha de ultra-alta tensão (±800 kV) entre Graça Aranha (MA) e Silvânia (GO). Com investimento projetado entre R$ 18,1 e R$ 23 bilhões e capacidade de 5.000 MW, o projeto vai levar energia limpa do Nordeste para 12 milhões de pessoas, incluindo Brasília. Deve operar em 2029.

3. Pernambuco: o megacomplexo verde de Suape

Brasil e China iniciaram a construção de um megacomplexo industrial no Porto de Suape focado em hidrogênio verde e metanol. A estimativa é de R$ 8 bilhões em investimentos e 10 mil empregos.

4. Alagoas: cobre chinês no sertão

Em 2025, a chinesa Baiyin comprou a Mineração Vale Verde, dona da mina de cobre de Craíbas, em Arapiraca, por US$ 420 milhões. Cobre é essencial para carros elétricos e linhas de transmissão. O governo do estado ainda negociou até US$ 80 milhões com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) para projetos de água e energia.

5. Ceará, Paraíba e RN: tecnologia

No Pecém (CE), data center ligado à TikTok movido a energia eólica. Na Paraíba, a estrutura do radiotelescópio BINGO (USP/UFCG) foi fabricada na China, e o Complexo Eólico Serra da Palmeira, da China Three Gorges, tem 648 MW. Já o Rio Grande do Norte foi escolhido para receber um supercomputador de IA entre os 10 mais potentes do mundo.

Por que o Nordeste?

A região gera cerca de 95% da energia eólica do Brasil. Para a China, que domina a cadeia global de renováveis, é o lugar perfeito para produzir barato, com energia limpa, e exportar para o mundo.

Pesquisa com base em dados públicos da State Grid Brasil, BYD Brasil, CGN Brasil Energia, Governo da Bahia, Complexo de Suape e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)

Publicado em 05/11/2026. É permitida a reprodução desde que citada a fonte.