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Dino critica Fachin e diz que Judiciário vive o momento mais corrupto da história em sessão sobre caso Banco Master

Ministro questionou retirada de Mendonça da relatoria e classificou sessão desta terça (15) como “desastrada”, que terminou com o placar parcial do julgamento em 4 votos a 3

por redação com Agência Brasil 

Foto: © Alejandro Zambrana/STF

Em uma sessão extraordinária marcada por tensão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 15 de setembro, o ministro Flávio Dino afirmou que o Brasil vive o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”.

A declaração foi feita durante o julgamento que analisa se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas relações com o caso Banco Master.

O estopim foi uma questão de ordem levantada por Dino contra a decisão do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, de retirar do ministro André Mendonça a relatoria dos processos ligados ao Banco Master. Dino defendeu que, após a saída, o processo deveria ser redistribuído, conforme o regimento interno.

“O regimento diz que tem que distribuir. Não existe autodesignação de relator”, disse Dino.

Em outro momento, o ministro criticou a exposição da Corte: “Aqui não é lugar de quem busca aplausos, busca popularidade. Aqui não é lugar para fazer biografia, é para fazer justiça”.

Sessão plenária extraordinária do STF. – Fellipe Sampaio/STF

A sessão que discute o caso Master também teve embates entre Moraes e Mendonça e adiamento pedido por Gilmar Mendes. O plenário ainda deve decidir se os casos de Moraes e Mendonça serão analisados separadamente.

Sessão do STF foi encerrada sem decisão

Brasília (DF), 15/09/2026 – Ministro Flávio Dino durante sessão do STF. Foto: © Rosinei Coutinho/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista do julgamento que vai decidir se os casos dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser julgados simultaneamente.

O pedido foi feito após os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes iniciarem um bate-boca sobre a condução do caso Master.

Com o pedido de vista, a análise do caso não tem data para ser retomada. O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3.

Os votos pelo julgamento conjunto foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Apesar de ter defendido o julgamento conjunto, Dino pediu para não computar sua posição no placar provisório por ter pedido vista.

O presidente do STF, Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça votaram pelo julgamento separado.

Entenda o caso 

O caso veio à tona no dia 1° de setembro, quando o plenário da Corte foi acionado por André Mendonça, após a apuração da Polícia Federal (PF) identificar que Vorcaro entrou em contato com um número de celular atribuído a Moraes.

A investigação aponta que o ex-banqueiro trocou cerca de 50 mensagens com o número antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado.

As mensagens foram captadas pela PF, a partir da quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro, que está preso pelas investigações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).

Conforme a Constituição e o regimento interno do Supremo, cabe ao plenário da Corte julgar membros do tribunal.

Anulação 

Durante a tramitação do feito, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas.

Procurador-geral da República, Paulo Gonet – Foto: © Rosinei Coutinho/STF

Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.