Valor é 4,7 vezes maior que o piso atual de R$ 1.621 e expõe a perda do poder de compra do brasileiro com alta da cesta básica em todas as capitais
por redação com Dieese
Quanto custa, de verdade, para viver no Brasil? Segundo o Dieese, muito mais do que o brasileiro recebe.
O salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.612,49 em abril, de acordo com levantamento divulgado nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O valor é 4,7 vezes maior que o salário mínimo oficial, que hoje é de R$ 1.621,00.
O cálculo leva em conta o que diz a Constituição: o mínimo deveria ser suficiente para pagar alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência de uma família inteira. Na prática, está longe disso.
Por que o valor disparou?
O gatilho foi a cesta básica. Em abril, o preço da cesta subiu nas 27 capitais do país pela segunda vez seguida, pressionada principalmente pelos alimentos.
São Paulo segue com a cesta mais cara do Brasil: R$ 906,14. Em seguida vêm Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26).
Os vilões do mês foram:
• Leite integral: único produto que subiu em todas as capitais, com alta de até 15,70% em Teresina. • Tomate: aumento em 25 capitais, chegando a 25,58% em Fortaleza. • Feijão carioca: alta de até 17,86% em Palmas. • Carne bovina e pão francês: subiram em 22 capitais.
O Dieese explica que a entressafra, a oferta menor no campo e a demanda externa aquecida puxaram os preços.
O único alívio foi o café em pó, que caiu em 22 capitais por conta da chegada da nova safra.
R$ 8 mil para viver bem? Na verdade, é ainda mais
Estudos como o do projeto Salário Digno Brasil, da USP/Cebrap, já mostram que para ter uma vida digna o brasileiro precisa ganhar entre R$ 3,3 mil e mais de R$ 7 mil dependendo da região onde mora. O cálculo do Dieese, que usa São Paulo como base por ter a cesta mais cara, é considerado o teto do salário ideal.
Hoje, com R$ 1.621, um trabalhador consegue comprar menos de 2 cestas básicas na capital paulista. Em 2026, o salário mínimo teve reajuste de 6,79%, de R$ 1.518 para R$ 1.621, mas o ganho real já foi engolido pela inflação dos alimentos.
O levantamento reforça o abismo entre o que a lei prevê e o que o bolso do trabalhador aguenta. Com juros altos e inflação de alimentos persistente, a pressão sobre as famílias de baixa renda deve continuar nos próximos meses.
Fonte: Dieese – Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, abril de 2026












