/Sesau explica quando fazer teste rápido de Infecções Sexualmente Transmissíveis

Sesau explica quando fazer teste rápido de Infecções Sexualmente Transmissíveis

Caso exame seja realizado antes do tempo, pode apresentar um resultado falso negativo

por Marcel Vital – Agênecia Alagoas

(Além da polpa digital, existe também o teste de fluido oral para triagem do HIV – Foto: Carla Cleto)

O carnaval acabou, mas o alerta para a importância do sexo seguro e a prevenção contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) não deve parar. O alerta vale para quem tenha tido relação sexual sem camisinha ou compartilhou seringas, agulhas e reutilizou objetos perfuro-cortantes durante o período momesco e pode ter sido infectado pela sífilis, hepatites B e C ou, ainda, pelo HIV – vírus causador da Aids. E para prevenir-se, é de suma importância fazer uma avaliação clínica, associada a exames específicos, para verificar como está a sua saúde.

Mas você sabia que existe um período específico para realizar o teste?

No caso do HIV, por exemplo, o teste rápido pode ser feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios, utilizando-se apenas algumas gotas de sangue, obtidas pela punção da polpa digital (na ponta do dedo), por meio de um equipamento portátil, garantindo mais conforto ao paciente e evitando a coleta venosa. O procedimento leva em torno de 30 a 40 minutos, incluindo-se o tempo de aconselhamento, que acompanha a entrega do resultado.

“Esse sistema permite que a análise seja processada no local, então, o paciente já sai da unidade de saúde com o resultado em mãos, o que agiliza o acesso ao tratamento quando necessário”, explicou Sandra Gomes, coordenadora do Programa de Combate às ISTs/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

De acordo com ela, para que um diagnóstico positivo ou negativo num teste de HIV seja considerado seguro, é preciso que seja respeitado o período chamado de “janela imunológica”. Esse intervalo diz respeito ao período entre a infecção e o início da formação de anticorpos contra o HIV.

“Assim, para detectar o HIV, o indicado é realizar os exames de diagnóstico por 30 dias após a exposição à situação de risco, respeitando-se a ‘janela imunológica’. Caso o faça neste período, existe a chance de apresentar um falso resultado negativo. Durante este intervalo, não deixe de se prevenir, pois, caso tenha sido infectado, pode transmitir o vírus para outra pessoa”, alerta Sandra Gomes.

Já a “janela imunológica” para o teste rápido por meio da polpa digital, visando à detecção do vírus da hepatite C (HVC) e B (HBV), é em torno de 60 a 120 dias. Já o da sífilis é o mesmo tempo para o HIV.

Após o diagnóstico

Conforme Sandra Gomes, a partir do momento em que a pessoa é diagnosticada com HIV, passa a ser atendida nos Centros de Referência, onde o acompanhamento inclui consultas médicas; exames periódicos de CD4 (que mede as células de defesa) e de Carga Viral (que mede a quantidade do vírus circulando no sangue); fornecimento de medicamentos antirretrovirais que ajudam a manter a carga viral controlada e acompanhamento psicossocial, para viver bem e permanecer saudável.

Fluido oral

Além da polpa digital, existe também o teste de fluido oral para triagem do HIV, que a Sesau realiza durante as ações itinerantes. Como pré-requisito para fazer o teste, é necessário que, 10 minutos antes, a pessoa evite ingerir alimento ou bebida, fume ou inale qualquer substância, escove os dentes e use antisséptico bucal. No caso das mulheres, também se deve retirar o batom. O fluido do teste oral é extraído da gengiva e o começo da mucosa da bochecha com o auxílio da haste coletora. Quando surge uma linha vermelha, significa que não é reagente. Caso apareçam duas linhas vermelhas, a confirmação se dará num segundo teste, que pode ser feito com amostra de sangue total obtida por punção venosa ou da polpa digital.

Segundo a coordenadora do Programa de Combate às ISTs/Aids e Hepatites Virais da Sesau, o medo do desfecho positivo ainda é um dos maiores empecilhos à realização dos exames. Para ela, é um erro fugir do diagnóstico, já que, hoje em dia, estar infectado com o HIV deixou de ser uma sentença de morte.

“Acontece que, por mais que tenhamos por aqui uma boa rede de testagem, ainda existe muita gente que não faz o exame por tabu ou por medo da resposta”, argumenta. No entanto, segundo Sandra Gomes, “as pessoas não devem ter receio de se testar, porque o melhor que um soropositivo pode fazer por sua vida é descobrir o quadro precocemente e começar o tratamento”, frisou. “Há evidências de que menos estigma e mais conhecimento sobre o vírus resultam em um número maior de exames”, concluiu.