/Você tem opinião ou opina por buscar aceitação?

Você tem opinião ou opina por buscar aceitação?

O risco é de nos tornamos abjetos, ou seja, seres humanos fáceis de serem manipulados.

Todo ser humano – salvo aqueles que têm noção da imensidão que é o universo do conhecimento – tem opinião sobre tudo. Com o advento das redes sociais abertas, a exemplo do Facebook, esse ranço opinativo está cada vez mais aflorado. No “face” as pessoas comentam sobre tudo, desde opinar sobre a vida das celebridades a fazer ponderações sobre os conflitos sangrentos que se dão no Oriente Médio.
O que acontece é que a maioria dessas opiniões são rasas e sem uma fundamentação consistente num nível de saber mais elevado, o que gera o apontamento de soluções simples para problemas complicados, ou seja, partindo do nada para se chegar a lugar algum; quando, na verdade, o que se busca não é expressar uma opinião, mas tentar dizer algo para ser aceito.
Essa busca pela aceitação é decorrente de nossa pregressa adolescência, período no qual tivemos que competir, não por um espaço no mundo, mas entre “a galera” de amigos. Para isso, boa parte de nós chegamos a fazer coisas idiotas.
Quando a gente não supera essa “necessidade” de aceitação, ela acaba nos dominando pelo resto da vida até que sejamos impactados por alguns “choques de realidade”.
Qual é o risco de viver opinando por aceitação? O risco é de nos tornamos abjetos, ou seja, seres humanos fáceis de serem manipulados, sobretudo pelos políticos e pelo mercado do consumo. Mas como assim? Percebam que muitas opiniões políticas que são despejadas nas redes socais não vêm de convicções calcadas numa profunda e extenuante pesquisa que o autor fez, mas parte de um impulso que nos faz “seguir a onda”.
Quando a Esquerda dominava o país, a maioria das postagens se baseavam nessa ideologia. Agora que a “onda” está mais à Direita, as postagens, das mesmas pessoas de outrora, inclusive, seguem esse fluxo, o que manifesta a falta de maturidade.
Outras pessoas depositam suas opiniões na rede apenas para ganhar visibilidade. É até engraçado ver muita gente usando a hastagh “Bolsomito” em seus perfis. Pela elaboração do modelo de apresentação de sua suposta predileção política, dá para se perceber o quanto esse tipo de pessoa está com a necessidade de ser aceito, pois se perguntarmos se o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) é um liberal, um social democrata, em termos econômicos, poucos saberão responder.
Eu usei o exemplo dos “bolso-mitos” assim como eu poderia usar qualquer um outro, como “foraTemer” etc.
O que é que eu quis dizer com isso tudo que falei? É que nós, brasileiros, sobretudo os jovens, precisamos nos aprofundar no saber para podermos perceber que a conquista do nosso espaço, quando tivermos opinião de verdade, não será uma questão de aceitação por parte dos outros, mas será uma consequência do nosso modo de se comportar com maturidade, ou seja, não precisarei ser intolerante com os demais grupos que pensam diferente para ser quisto em certos ambientes, pois quem precisa me aceitar não são os outros, mas eu mesmo.
Quem se aceita já passou a ser um cidadão livre das guerras por aceitação e se tornou um exímio cidadão do mundo. Quanto mais a gente sabe sobre o mundo é sobre a gente mesmo, mais possibilidade de sermos livres nos temos.

Fonte: gospelprime.com.br