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Com taekwondo, alunos de escola estadual aprendem ter autocontrole e mais disciplina

Projeto é desenvolvido na Escola de Ensino Integral Carlos Gomes há seis anos

por Manuella Nobre – Agência Alagoas

Alunos tiveram aula na Serra da Barriga – Foto: Valdir Rocha

Reconhecido como esporte olímpico oficial desde 2000, o Taekwondo, arte marcial coreana, é ensinada e utilizada pela Escola Estadual de Ensino Integral Carlos Gomes, em União dos Palmares, para promover autocontrole, disciplina e maior integração com estudantes.

A proposta foi lançada no final de 2013, pelo então gestor e hoje professor de história, Sílvio Rogério dos Santos, ainda quando era faixa vermelha. Agora, já no nível mais alto, a preta, ele continua atraindo interesses dos jovens e trazendo importantes conquistas tanto para quem está dentro quanto para quem já saiu da escola.

De acordo com o idealizador, o projeto atende atualmente 22 jovens, sendo 17 alunos e cinco ex-alunos da Carlos Gomes. As aulas acontecem aos sábados, domingos e feriados, na própria unidade escolar. Nas aulas, os alunos aprendem defesa pessoal e técnicas para competição.

“O projeto iniciou com uma forma de divulgar o esporte aqui em União. O meu professor morava em Maceió, formou-se em faixa preta e decidiu abrir uma academia aqui, onde comecei a treinar, na época, com mais dois alunos. Eu disse que seria o primeiro aluno a conseguir a faixa preta aqui e consegui: daí decidi continuar e levar o esporte para as escolas. Daí comecei o projeto com os meninos e está até hoje”, recorda

Ele também enumera os benefícios do esporte no ambiente educacional “Ensina os alunos a ter foco, disciplina, perseverança, dedicação, respeitar seus colegas e superiores. Essas lições também vão para escola e para o lar. O respeito está em todo momento: nos tratamos como senhores e senhoras como ato de respeito”, explica Rogério.

Melhorias – Para a gestora adjunta da Carlos Gomes, Cleonice Maria Bastos, o projeto tem sido um importante aliado no combate à violência e à depressão, além de despertar espírito de liderança e engajar estudantes em outras atividades da escola.

“Quando encontramos projetos com este, que cuida do emocional, é impossível dizer não. Percebemos que todos estes alunos vem melhorando, tanto no aprendizado, quanto na participação e presença na sala de aula. É uma ação que vale a pena e escola abraça “,avalia Cleonice.

Atentos, concentrados e entusiasmados, alguns já bem avançados e outros apenas iniciando, os estudantes garantem que vale a pena cada minuto de dedicação à arte marcial.

“A disciplina e o autocontrole emocional foram algumas das coisas me chamaram atenção. Antes eu era mais fechado, hoje consigo me comunicar melhor”, garante Matheus Henrique, hoje ex-aluno. “É um esporte que tenho orgulho de praticar e é, para mim, uma filosofia de vida. Graças ao Taekwondo, hoje eu consigo ter controle de mim mesmo e das minhas emoções”, afirma Elton dos Santos.

Desafios – A falta de conhecimento ou mitos difundidos sobre algumas artes marciais, além do preconceito, quase deixaram Cassielen Cardoso fora do grupo. “Sempre tive vontade de praticar, mas minha mãe achava muito violento e não deixava. Ai conversei com o professor Rogério para me entregar um termo, já que sou menor de idade, pedindo autorização e minha mãe autorizou. No começo só tinha eu de mulher, as meninas entraram recentemente. As artes marciais não são só para homem”, garante.

“O que mais me motivou foi ter um controle maior sobre mim. Eu era muito nervoso, depois que entrei, acabei me controlando mais e perdi boa parte do nervosismo. Minha mãe também não queria autorizar, mas convenci e ela autorizou”, revelou Juvenal Tenório, da 1º série.

Solo sagrado – Numa aula para lá de especial, realizada no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, promovida pela 7ª Gerência Regional de Ensino (Gere), gestores, professor e alunos falam das transformações que este esporte tem promovido em suas vidas.

“Este é um lugar histórico, que todos deveriam valorizar, fiquei super feliz por treinar aqui. Como a Cassielen falou, o taekwondo não é um esporte só para homens, é para mulheres. O dia hoje foi muito especial”, comemora Késsia da Silva.

Orgulhoso dos seus pupilos e agradecido à Gere pela oportunidade, o professor Sílvio Rogério descreve a importância daquele momento. “Eu sempre gosto de vir à Serra da Barriga, porque aqui foi um local de luta, onde se combateu pela liberdade. Então, eu trago os guerreiros para treinar onde os guerreiros viveram, isso é muito bom. Eu amo muito o que faço e agradeço ao meu professor Moacir que me ensinou, o mestre Gilson, que foi o mestre dele. O Taekwondo está ai para ajudar e atuar em todas as escolas que estiverem”, garante o professor, que tem seu filho como um dos seus alunos.

Apaixonada pelas histórias de transformações e resultados, a gerente da 7ª Gere, Simone Alencar, é uma entusiasta do projeto. “Vejo aqui ex-alunos, jovens, em busca de melhorias para si, para suas vidas, além da dedicação do professor, que também conheço dentro da sala de aula e sei da sua competência e compromisso com a educação. Por isto, tenho o prazer em abraçar esta causa”, confirma a gerente.